PATRIMÔNIO OCULTO

Advogada presa é suspeita de esconder imóveis de luxo de tesoureiro do Comando Vermelho

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Advogada presa é suspeita de esconder imóveis de luxo de tesoureiro do Comando Vermelho
Reprodução

A advogada Dayane Moreira, presa durante a Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (30), é investigada por atuar na ocultação do patrimônio de Paulo Witter Farias, conhecido como "WT", apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e responsável pelo núcleo financeiro da facção.

Conforme as investigações, Dayane utilizava procurações para administrar imóveis registrados em nome de terceiros, estratégia que teria sido usada para esconder a verdadeira propriedade dos bens ligados ao faccionado. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano, responsável pelo caso, a advogada exerceu papel importante na dissimulação do patrimônio de WT.

De acordo com a Polícia Civil, ela atuou como procuradora de imóveis localizados em Itapema (SC), formalmente registrados em nome de pessoas interpostas.

"A advogada presa na cidade de Cuiabá atuou como procuradora de imóveis em nome de pessoas interpostas na cidade de Itapema. Ela exerceu atividade para ocultação e dissimulação do patrimônio pertencente a esse faccionado, a esse tesoureiro da organização criminosa", afirmou o delegado.

Além da advogada, também foram alvos da operação o jogador de futebol Alex Junior Santos Alencar, conhecido como "Alex Soldado", Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", e Brunno Passos, chamado de "Brunninho". Todos são investigados por suposta participação no esquema financeiro ligado ao Comando Vermelho.

Segundo Victor Hugo Caetano, Alex Soldado é considerado um dos principais homens de confiança de WT fora do sistema prisional e já foi preso em outras ocasiões.

"O jogador de futebol desse faccionado é um dos braços direitos dele aqui fora do presídio. Ele já foi preso diversas vezes", declarou.

A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e apura a continuidade das atividades do núcleo financeiro da facção mesmo após a prisão de WT. A Justiça expediu 10 mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, quebras de sigilo telefônico e bancário e bloqueios patrimoniais contra 14 investigados nos estados de Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

As investigações indicam que, mesmo custodiado em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário estadual, WT continuava comandando a movimentação financeira da organização criminosa. Conversas interceptadas mostram que ele cobrava arrecadações, orientava operadores, conferia planilhas financeiras e determinava a destinação dos recursos da facção.

Durante a apuração, a Polícia Civil localizou uma contabilidade que fundamentou o pedido de bloqueio de mais de R$ 17 milhões em imóveis de alto padrão, a maioria situada em Balneário Camboriú (SC).