OPERAÇÃO REPLAY

Após manter comando do CV de dentro da PCE, WT deve ser transferido para presídio federal

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Após manter comando do CV de dentro da PCE, WT deve ser transferido para presídio federal

Apontado como tesoureiro e uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witter Farias, conhecido como "WT", deverá ser transferido para o Sistema Penitenciário Federal de segurança máxima. A medida foi apurada pela reportagem após as investigações da Polícia Civil apontarem que ele continuava comandando as atividades da facção criminosa de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

As informações constam nas investigações que embasaram a Operação Replay, deflagrada nesta quinta-feira (30), e indicam que WT teve acesso a aparelhos celulares durante o período em que esteve custodiado na unidade. Por meio dos dispositivos, ele mantinha contato frequente com comparsas e repassava ordens ao núcleo financeiro da organização, que permanecia em funcionamento fora do sistema prisional.

A Replay é mais um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que têm como objetivo desmontar a estrutura financeira ligada ao faccionado.

Em entrevista, o delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano, afirmou que novas medidas serão adotadas para impedir que WT continue exercendo influência sobre a organização criminosa.

"As investigações continuam e a gente vai manter o sigilo por enquanto, pelo bem da investigação. Mas vão ser tomadas medidas nesse sentido porque são cinco operações em sequência contra esse mesmo alvo, três da Draco e duas de outras unidades. É necessário essa parada de atuação dele", afirmou.

Embora a transferência não tenha sido confirmada oficialmente pela Polícia Civil, a reportagem apurou que a corporação trabalha para remover WT para uma penitenciária federal de segurança máxima, onde o controle sobre a comunicação dos detentos é mais rígido.

As investigações revelaram que o criminoso acompanhava de perto a movimentação financeira da facção. Mensagens interceptadas mostram que ele cobrava arrecadações, determinava recolhimentos de dinheiro, orientava operadores e monitorava planilhas de prestação de contas da organização.

Outro elemento considerado decisivo pela Draco foi a constatação de que o mesmo chip telefônico atribuído a WT foi utilizado em sete aparelhos diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para os investigadores, a troca constante de celulares fazia parte da estratégia para dificultar o rastreamento das comunicações e evitar apreensões.

A Operação Replay cumpriu 10 mandados de prisão preventiva contra integrantes do círculo de confiança de WT. Entre os alvos estão a advogada Dayane Moreira, o jogador Alex Junior Santos Alencar, conhecido como "Alex Soldado", Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", e Brunno Passos, o "Brunninho".

Conforme a Polícia Civil, o grupo era responsável por dar suporte ao núcleo financeiro da facção, ocultando patrimônio, movimentando recursos ilícitos e utilizando terceiros para lavar dinheiro.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 15,324 milhões em ativos financeiros e o sequestro de imóveis e veículos avaliados em cerca de R$ 17,28 milhões.