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Empresário alvo de operação por esquema de lavagem é preso com arma em casa

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Empresário alvo de operação por esquema de lavagem é preso com arma em casa

O empresário Wilton Vagner Vasconcelos Magalhães foi preso em flagrante nesta quinta-feira (23), em Cuiabá, durante a Operação Aposta Perdida, deflagrada pela Polícia Civil. Ele é investigado por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online.

A prisão ocorreu após os policiais encontrarem, na residência do investigado, armas de fogo de calibre .45. Diante da situação, ele foi conduzido à delegacia por posse ilegal de arma.

Wilton é dono de uma empresa do ramo de veículos e marido de Jessica Orben Vasconcelos Magalhães, apontada como uma das principais envolvidas no esquema. Segundo as investigações, o casal mantinha um padrão de vida elevado, com viagens frequentes para destinos internacionais como Japão, Maldivas, Dubai, Paris e Nova York, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.

De acordo com a Polícia Civil, a movimentação financeira identificada é incompatível com a renda formal declarada pelos investigados. Em pouco tempo, o grupo teria adquirido imóveis de alto padrão, veículos de luxo e outros bens de elevado valor.

A operação foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, com apoio da Diretoria de Inteligência. Ao todo, foram cumpridos mandados judiciais em Cuiabá, Várzea Grande (a cerca de 10 km de Cuiabá) e Itapema, em Santa Catarina.

As ordens judiciais incluem buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias e redes sociais, sequestro de imóveis e veículos, além da apreensão de passaportes. O valor total bloqueado chega a R$ 10 milhões, conforme decisão do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias.

As investigações apontam que o grupo atuava na divulgação de plataformas ilegais de apostas online, popularmente conhecidas como “jogo do tigrinho”, que não possuem regulamentação no país. A estratégia incluía o uso intensivo de redes sociais para atrair novos participantes.

“Os investigados utilizavam promessas de ganhos rápidos e elevados para atrair usuários, muitas vezes simulando lucros por meio de contas demonstrativas”, informaram os investigadores.

Segundo a apuração, o esquema apresentava características típicas de pirâmide financeira, em que os ganhos dependiam da entrada de novos usuários. O núcleo familiar teria papel central na operação, tanto na promoção das plataformas quanto na movimentação e ocultação dos valores obtidos.

Ainda conforme a Polícia Civil, os recursos eram “lavados” por meio de empresas, transações fracionadas e aquisição de bens de luxo, como veículos importados das marcas BMW, Land Rover e Porsche, além de imóveis de alto padrão.

Os investigadores também identificaram indícios de uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e empresas de fachada para dificultar o rastreamento do dinheiro. Relatórios técnicos apontam movimentações milionárias, inconsistências fiscais e conexões com outros investigados e plataformas internacionais ligadas a fraudes digitais.

A operação segue em andamento e tem como objetivo desarticular o grupo criminoso, interromper o fluxo de recursos ilícitos e reunir provas para responsabilização dos envolvidos.