O senador Wellington Fagundes (PL-MT), candidato ao Governo de Mato Grosso, acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) nesta segunda-feira (17) contra o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputa a reeleição. A representação questiona declarações feitas pelo governador durante entrevista coletiva na sexta-feira (14), quando chamou Wellington de “negociador de emenda voraz” e afirmou que o senador “só fez negócio na política a vida toda”.
Durante a entrevista, Pivetta também colocou em dúvida a destinação de R$ 1,5 bilhão em emendas atribuídas a Wellington ao longo dos últimos 12 anos.
“Tem algum hospital que ele fez? Onde está o R$ 1,5 bilhão dos últimos 12 anos dele, que ele distribuiu? Procurem saber. Durante a campanha, nós vamos mostrar onde ele botou essas emendas. É um negociador de emenda voraz. Essa é a profissão dele”, declarou.
Na ação apresentada à Justiça Eleitoral, os advogados de Wellington sustentam que as declarações deixaram de ser apenas críticas políticas e passaram a atribuir ao senador a prática de crimes.
Pivetta também afirmou que Wellington “só fez negócio na política a vida toda” e que teria exercido influência sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e sobre a distribuição de recursos.
“Nunca atuou empresarialmente. E só fez negócio na política a vida toda. Ele mandava no Dnit. Ele mandava em todas as verbas, distribuição de verba”, disse o governador.
Outro trecho citado pela defesa envolve o ex-governador Silval Barbosa e o ex-secretário de Estado de Infraestrutura Cinésio Nunes de Oliveira. Na ocasião, Pivetta afirmou que Wellington estaria tentando “voltar na cena do crime” e mencionou uma suposta “roubalheira” na Sinfra.
“Ele quer voltar na cena do crime. Eles estão com saudade do que eles faziam na Sinfra. O Silval delatou o Cinésio e delatou o WF também. Contou certinho a roubalheira que eles faziam”, afirmou.
Para os advogados do senador, Pivetta apresentou as acusações como fatos e associou Wellington a supostas irregularidades na Secretaria de Estado de Infraestrutura.
A defesa também sustenta que não existe processo ou condenação contra Wellington relacionada às acusações citadas pelo governador. Os advogados mencionam ainda uma certidão de antecedentes para fins eleitorais expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na representação, a defesa pede que o caso seja encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral e à Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso para apuração.
Os advogados afirmam que as declarações podem, em tese, caracterizar calúnia eleitoral e difamação eleitoral. A análise do caso caberá à Justiça Eleitoral.