Apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos, conhecido como “Virgulino”, foi transferido para o estado após ser preso no Paraguai. Ele foi localizado em Assunção no dia 3 de setembro, usando documentos falsos.
Equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) foram até Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, para realizar o transporte do investigado.
Virgulino era considerado foragido da Justiça e foi localizado durante a Operação Raspa Brasil. No momento da prisão, ele apresentava documentação falsa em nome de Raimundo Nonato de Almeida de Souza.
A captura ocorreu durante uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da GCCO/Draco e da Gerência de Polinter e Capturas (Gepol), com a Polícia Nacional do Paraguai e a Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos.
Quase 2 toneladas de maconha
Segundo as investigações, Virgulino já havia sido flagrado utilizando identidade falsa em fevereiro de 2023, quando foi localizado em Pontes e Lacerda. Nas redes sociais, também utilizava o nome Lucas Matos.
Em outubro de 2025, equipes da GCCO/Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara ligada ao investigado. Quatro pessoas foram presas na ocasião.
O nome de Virgulino também aparece em investigações relacionadas a crimes de grande repercussão. Ele é suspeito de envolvimento em um roubo a instituição financeira no modelo conhecido como “Novo Cangaço”.
O investigado ainda foi citado em uma investigação sobre um túnel de aproximadamente 257 metros escavado em Cuiabá com direção à Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo a apuração, a estrutura teria sido planejada para permitir o resgate de integrantes da facção presos na unidade.
Dinheiro da facção
A Polícia Civil também aponta Virgulino como responsável pela administração de recursos do grupo criminoso, principalmente dentro do esquema conhecido como “Raspa Brasil Nacional”.
Segundo a GCCO/Draco, ele atuava na coordenação estadual da atividade, estabelecendo diretrizes financeiras e auxiliando na expansão do esquema em Mato Grosso.
Monitoramentos identificaram o investigado transportando materiais de divulgação das chamadas raspadinhas. Análises de celulares também apontaram contatos com outros integrantes envolvidos na operação.
Ainda conforme as investigações, Virgulino cobrava informações sobre estabelecimentos comerciais, quantidade de bilhetes distribuídos, valores arrecadados e repasses. Em caso de descumprimento das determinações, integrantes eram submetidos à chamada “disciplina” da facção.
Vida de foragido
Depois de deixar Mato Grosso, Virgulino passou pelo Rio de Janeiro e, posteriormente, seguiu para o Paraguai. Mesmo procurado pela Justiça, continuou utilizando redes sociais e identidades falsas.
Em fevereiro deste ano, publicou imagens feitas no Rio de Janeiro ao lado de uma mulher que possuía cinco mandados de prisão em aberto. Em outra publicação, apareceu com uma arma de fogo com características de fuzil.
As investigações também identificaram postagens relacionadas à rotina do investigado, incluindo atividades físicas e frequentação de bares.
Investigação sobre laudos
A Polícia Civil também levantou informações sobre alegações de incapacidade mental apresentadas pelo investigado em processos judiciais.
Segundo a GCCO/Draco, durante o período em que permaneceu foragido, Virgulino teria participado de videochamadas, repassado orientações e cobrado outros integrantes da organização criminosa.
Esses elementos foram encaminhados às autoridades responsáveis para subsidiar pedidos de revisão dos laudos apresentados nos processos.
Com a transferência para Mato Grosso, serão adotados os procedimentos de cooperação internacional necessários para o cumprimento das ordens judiciais existentes contra o investigado.