VINÍCIUS SEGATTO

Sistema de Justiça no piloto automático?

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Sistema de Justiça no piloto automático?

s inteligências artificiais entraram no Judiciário pela porta da frente. Diante de um volume de processos que é humanamente impossível de se vencer, elas surgem como promessas de salvação: rápidas, incansáveis, capazes de redigir decisões, despachos e sentenças em segundos. 

 A tentação é evidente — e é justamente aí que mora o perigo. Porque há uma verdade simples que a euforia tecnológica costuma ignorar, na premissa recente de Lênio Streck:  robô não sobe escada e trapezista não voa.

 Nesse sentido, é de extrema importância ressaltar que cada coisa tem a sua natureza e o seu limite. O robô calcula, pesquisa e organiza com uma velocidade que nenhum humano alcança, mas há degraus que ele não vence, porque não foram feitos para ele. De mesmo modo, o trapezista encanta a plateia com a ilusão do voo, mas segue preso à gravidade, à técnica e à rede de proteção. 

 Nessa perspectiva, trazendo a imagem para o processo, o reconhecimento é inevitável: as IAs generativas podem acelerar o trabalho mecânico e repetitivo dos Autos, mas ela não julga. Julgar é de outra natureza, uma natureza eminentemente humana. O próprio Conselho Nacional de Justiça compreendeu essa fronteira.