O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal extrapolou suas atribuições ao atuar em um conflito administrativo ocorrido na EMEB Agostinho Simplício, no bairro Poção.
Segundo o prefeito, assessores ligados ao órgão teriam utilizado a estrutura institucional para pressionar servidoras da unidade escolar.
"Estou dizendo que há um desvirtuamento da Procuradoria. Ela não tem o direito de entrar em uma unidade escolar para coagir diretora e coordenadora. O que aconteceu foi servidor, que nem vereador é, entrar na escola dando carteirada para tentar pressionar servidoras do município", afirmou.
Abilio disse que o caso envolvia uma questão administrativa entre servidoras da Secretaria Municipal de Educação e que não havia relação com violência ou discriminação contra mulheres.
Para o prefeito, a situação deveria ser conduzida pela própria Secretaria de Educação.
Durante a entrevista, Abilio também criticou a criação de uma nova Comissão Especial para acompanhar as denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-chefe de gabinete William Leite de Campos.
Segundo ele, a Câmara já dispõe de mecanismos suficientes para tratar do assunto, citando a comissão especial anterior, a Procuradoria da Mulher e a Comissão dos Direitos da Mulher.
"Já teve comissão especial, já existe a Procuradoria da Mulher e também a Comissão dos Direitos da Mulher. Todas têm poder para convocar pessoas e investigar", afirmou.
O prefeito ainda defendeu que o relatório da comissão anterior seja divulgado, preservando a identidade da denunciante, e acusou parte dos parlamentares de transformar o episódio em disputa política.
A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), informou que recebeu diretoras e coordenadoras da escola, que relataram desconforto após a visita de representantes da Procuradoria da Mulher.
Segundo ela, as servidoras disseram ter se sentido ofendidas durante a atuação do órgão e afirmou que o episódio decorre de um conflito administrativo da Secretaria Municipal de Educação.