A revisão do contrato milionário dos serviços de água e esgoto em Cuiabá voltou ao centro de um debate tenso na Câmara Municipal, nesta terça-feira (28), expondo falhas antigas que seguem afetando milhares de moradores. A audiência pública, convocada pela presidente da Casa, Paula Calil (PL), escancarou a distância entre as promessas firmadas em 2012 e a realidade enfrentada pela população, que ainda convive com falta d’água, esgoto a céu aberto e ruas destruídas por obras mal executadas.
O contrato previa metas ousadas, como abastecimento ininterrupto em até três anos e universalização do esgoto até 2022, mas parte significativa desses compromissos ficou pelo caminho. Diante do cenário, a discussão sobre revisão contratual ganhou tom de cobrança, com críticas diretas à concessionária Águas Cuiabá e questionamentos sobre a eficácia da fiscalização. Mesmo com mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos anunciados, os problemas persistem e alimentam a insatisfação popular.
Representantes da agência reguladora Cuiabá Regula e da concessionária admitiram falhas, especialmente na intermitência do abastecimento, e reconheceram que decisões futuras podem impactar diretamente no bolso do consumidor. A possibilidade de reajustes tarifários em meio a serviços considerados precários elevou o tom do debate, colocando em xeque o equilíbrio entre lucro, investimento e qualidade na prestação de um serviço essencial..