O mercado de reposição do gado de corte ficou mais pressionado em julho de 2026. Com a valorização do bezerro acima do boi gordo, o pecuarista que compra animais para engorda precisou desembolsar o equivalente a 2,3 arrobas de boi gordo a mais por cabeça em comparação com a média histórica.
O boi gordo encerrou julho com média de R$ 335,50 por arroba, enquanto o último pregão do mês, em 31 de julho, fechou em R$ 346,55/@. Já o bezerro atingiu média mensal de R$ 3.385,55 por cabeça, chegando a R$ 3.377,23/cab. no fechamento do período.
A diferença entre a valorização dos dois mercados é o principal fator que impacta a margem do produtor que compra bezerros para recria e engorda. Atualmente, 20 arrobas de boi gordo compram 1,98 bezerro. Na média histórica, essa relação era de 2,58 animais.
Na prática, o bezerro passou a custar o equivalente a 10,1 arrobas de boi gordo, contra 7,8 arrobas na média histórica. O ágio da reposição, considerando a referência de 7 arrobas por cabeça, chegou a 44,2%, enquanto a média histórica é de 12,6%.
O levantamento também aponta que a relação entre arrobas de boi gordo necessárias para comprar um bezerro atingiu, em julho de 2026, o maior nível para o mês desde o início da série analisada.
Alimentação mantém pressão controlada
Apesar da alta da reposição, os custos de alimentação não apresentaram grande impacto sobre a atividade. A soja encerrou julho cotada em R$ 142,11 por saca, alta de 1,5% em relação à média histórica corrigida, enquanto o milho ficou em R$ 64,84/sc, com queda de 3,7%.
No comércio internacional, o Brasil exportou 279,7 mil toneladas de carne bovina in natura em junho de 2026, volume 2,9% acima da média dos últimos 12 meses. O preço médio ficou em US$ 6,54 por quilo, equivalente a R$ 33,54/kg considerando o câmbio do período.
Em dólar, o boi gordo acumula valorização ainda maior: 66,7% acima da média histórica, contra 43,7% quando analisado em reais. A diferença indica que parte da valorização atual também está relacionada ao câmbio.
Mercado futuro mantém preços acima do físico
Na Bolsa de Valores, o contrato futuro de boi gordo com maior interesse em aberto, com vencimento em outubro de 2026, era negociado a R$ 353,45/@, valor 2% acima do mercado físico registrado no fim de julho.
O cenário indica que produtores com capacidade de manter os animais por mais tempo encontram remuneração adicional no mercado futuro. A curva, porém, deve ser interpretada como referência de preços negociados e não como previsão de mercado.
Abate de bovinos apresenta queda e indica retenção de matrizes
Os dados do sistema PGA-SIGSIF, do Ministério da Agricultura, apontam que o abate de bovinos em unidades com inspeção federal somou 1,95 milhão de cabeças em julho de 2026.
O volume ficou 20,4% abaixo da média mensal dos últimos 12 meses, que é de 2,45 milhões de animais. Na comparação com julho do ano anterior, a queda chega a 30,4%.
As fêmeas representaram 35,7% do total abatido, percentual que indica maior retenção de matrizes por parte dos produtores. Mato Grosso aparece como o estado com maior participação no abate sob inspeção federal, respondendo por 22,6% do total registrado nos últimos 12 meses.
O levantamento considera apenas unidades com Serviço de Inspeção Federal (SIF) e deve ser analisado como uma amostra do mercado, já que os dados mais recentes podem sofrer alterações devido ao prazo de atualização das informações pelas plantas frigoríficas.