A defesa da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro pediu à Justiça Federal do Tocantins a revogação da prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (25).
O advogado Fernando Faria classificou a prisão como “absurda” e “arbitrária” e questionou os fundamentos utilizados para manter a empresária presa. A operação investiga um grupo suspeito de organizar voos, utilizar aeronaves e pistas clandestinas e prestar suporte logístico para o transporte de cocaína e armas de fogo da Bolívia e do Peru para o Brasil.
Segundo a defesa, um dos elementos utilizados na investigação seria uma mensagem trocada entre Thatiana e o irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, em 2024. Para o advogado, o conteúdo não teria relação com o objeto principal da investigação e não seria contemporâneo à prisão decretada em 2026.
“Essa prisão é absurda, arbitrária, sem fundamento algum. A busca e a prisão, ilegais. Prisão preventiva ilegal. Uma mensagem de 2024? Estamos em 2026. Hoje o contexto é totalmente diferente”, afirmou.
Márcio está preso desde fevereiro de 2025, quando foi flagrado em uma aeronave com 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base, em Tocantins.
A defesa também questiona a forma como foi cumprido o mandado de busca e apreensão na residência de Thatiana. Conforme Fernando Faria, a diligência teria começado antes da chegada de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que, segundo ele, teria violado prerrogativas profissionais da advogada.
“Ao me deslocar até lá, percebi que a autoridade policial já tinha dado início à diligência de busca e apreensão. O delegado de polícia tinha dado início à diligência, pegando a advogada na rua e, sorrateiramente, se apossou do celular dela antes mesmo de a OAB chegar”, declarou.
O advogado também contestou a maneira como o celular foi apreendido. De acordo com ele, o aparelho teria sido recolhido desbloqueado, colocado em modo avião e permanecido com o delegado antes da chegada da OAB e sem lacre.
“O delegado ludibriou ela e tomou o celular dela desbloqueado, colocou no modo avião, colocou no bolso, nem lacrado. Ficou mexendo no celular antes da OAB. Mexeu no celular antes da OAB”, afirmou.
Para a defesa, as circunstâncias apontadas podem comprometer a cadeia de custódia das provas e devem ser consideradas pela Justiça.
Além da revogação da prisão preventiva, os advogados pediram, como alternativa, a aplicação de medidas cautelares, como retenção do passaporte e proibição de deixar a comarca. Também foi solicitada a conversão da prisão em domiciliar, sob o argumento de que Thatiana é mãe de uma menina de nove anos.
O caso tramita sob segredo de Justiça e o pedido ainda será analisado pela Justiça Federal do Tocantins.
Bens apreendidos
Durante as buscas na residência da empresária, foram apreendidos joias, relógios, veículos e dinheiro em espécie. Segundo o advogado, os valores encontrados seriam compatíveis com a renda da investigada.
Thatiana é sócia e administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa responsável pelo Tatu Bola Bar, localizado na região da Praça Popular, em Cuiabá. A defesa afirma que o estabelecimento não possui qualquer vínculo com os fatos investigados.
Operação Bóreas
A Operação Bóreas cumpriu três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas. Também foram determinadas a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores pelo Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas.
A Polícia Federal solicitou ainda a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
A investigação busca desarticular um grupo suspeito de organizar voos e utilizar aeronaves e pistas clandestinas para dar suporte ao transporte de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil.