A inflação oficial do Brasil apresentou uma desaceleração em junho, trazendo um sinal positivo para a economia, embora o resultado ainda não seja suficiente para alterar de forma significativa o cenário atual, marcado por juros elevados e pressão sobre os preços.
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,16% no mês, uma redução de 0,42 ponto percentual em relação a maio, quando a inflação havia registrado alta de 0,58%.
No acumulado de 2026, o índice soma avanço de 3,36%. Já no período de 12 meses encerrados em junho, a inflação ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados nos 12 meses anteriores, mas ainda acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,50%.
O resultado veio melhor que o esperado pelo mercado. A projeção média indicava uma desaceleração para 0,31% em junho.
Entre os grupos analisados, os transportes tiveram alta de 0,17%, depois de uma queda de 0,46% em maio, contribuindo com 0,03 ponto percentual para o resultado geral do IPCA. Apesar disso, os combustíveis ajudaram a conter a inflação: os preços recuaram 0,48% no mês.
A gasolina teve redução de 0,12%, enquanto o etanol apresentou queda mais expressiva, de 3,09%. Em maio, os dois combustíveis também haviam registrado retração nos preços.
Apesar da melhora no índice, especialistas avaliam que o ambiente econômico continua exigindo cautela. A inflação segue acima do objetivo do Banco Central, enquanto a manutenção de juros elevados limita o ritmo de crescimento e reduz o espaço para mudanças na política monetária no curto prazo.
O resultado de junho representa um alívio pontual, mas ainda não indica uma mudança ampla na trajetória da economia brasileira.