REDAÇÃO PODER MT - O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, conhecido como "Padeiro", deixou a audiência pública que discutia o andamento das obras do BRT na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta segunda-feira (13), após afirmar que, se permanecesse no debate, poderia sofrer um infarto.
Durante a participação, o secretário demonstrou irritação e afirmou que preferia encerrar sua fala para evitar um desgaste ainda maior. "Eu sou muito nervoso. Tem coisas que eu quero falar, mas não vou falar. Isso vai me infartar. São coisas que aconteceram e que todo mundo sabe. O Brasil precisa mudar. Precisa mudar a emenda Pix, orçamento secreto. O dinheiro público precisa ser respeitado", declarou antes de deixar o plenário.
Embora o foco da audiência fosse a execução das obras do BRT, Marcelo também abordou temas como as chamadas emendas Pix, o orçamento secreto e a aplicação de recursos públicos. Esta foi a terceira convocação do secretário para prestar esclarecimentos aos deputados. As duas anteriores, marcadas para 22 de maio e 11 de junho, acabaram adiadas.
Ao relembrar a substituição do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo BRT, o secretário afirmou que o antigo modal deixou prejuízos ao Estado e classificou o período como um dos mais problemáticos da infraestrutura mato-grossense.
"O povo de Mato Grosso sofreu com o VLT, com a corrupção que ficou do VLT. Aquela ferida aberta em Várzea Grande desde 2013. Ali morreu gente, ali quebrou gente. Eu estava na Secopa, mas saí em 2012 sem uma mancha, sem processo aberto, porque eu não concordava com muitas coisas", afirmou.
Marcelo também defendeu a decisão do Governo do Estado de encerrar o projeto do VLT e adotar o BRT. Segundo ele, além de solucionar um problema herdado, a alienação dos trilhos e de outros materiais resultará em recursos superiores a R$ 1 bilhão para os cofres estaduais.
"Demos a solução, inclusive com superávit, porque com a venda dos trilhos e o leilão de outros materiais vamos ter nos cofres públicos mais de R$ 1 bilhão. O superfaturamento foi lá, aqui não. Tivemos problemas que não foram fáceis", declarou.
Ainda durante a audiência, o secretário destacou o crescimento de Cuiabá e Várzea Grande e o aumento da frota de veículos, afirmando estar desgastado com as críticas recebidas ao longo dos últimos anos à frente da Secretaria de Infraestrutura.
"Eu já tô muito chateado com esse negócio, que ficam falando umas coisinhas, mas eu vou guardar. Um dia eu vou desembuchar porque o Governo Silval nós sabemos. Eu vou ficar por aqui. Eu vim hoje amarrado, meu pessoal sabe. Não é fácil, são sete anos tocando a Sinfra", disse.
Marcelo de Oliveira também rebateu críticas feitas pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, sobre a qualidade do asfalto executado na MT-170, antiga BR-174. Segundo ele, problemas registrados em cerca de 40 quilômetros não podem apagar o volume de obras executadas pelo Estado.
"Fizemos sete mil quilômetros de asfalto e deu problema em 40, e estão falando de asfalto farinha. Ninguém lembra que, para chegar em Colniza, tinha vez que o caminhão ficava 10 dias atolado", concluiu.