O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) afirmou que a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), deve atingir novos investigados nas próximas horas. A declaração foi feita após o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) se tornar um dos alvos da investigação que apura um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Segundo Júlio, as investigações ainda não chegaram ao fim e novas medidas judiciais devem ser cumpridas.
"E vêm mais coisas aí. Aguarde as próximas horas. Tem mais coisa feia, vai mais gente pro pau", afirmou o parlamentar.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares como bloqueio de bens, quebra dos sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados.
As diligências também alcançaram a sede da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), órgão que participou da formalização do acordo firmado entre o Estado e a Oi. A Polícia Federal apura se recursos públicos pagos na transação foram desviados por meio de uma estrutura de fundos de investimento utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre os investigados estão o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia (União), a advogada Fabíola Garcia, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e outras autoridades e empresários. A investigação busca esclarecer a participação individual de cada um, e o fato de figurarem no inquérito não representa condenação.
Durante a entrevista, Júlio Campos voltou a mencionar declarações feitas anteriormente pelo senador Jayme Campos (União), que, segundo ele, já alertava para a possibilidade de integrantes do grupo político serem surpreendidos por operações policiais durante o período pré-eleitoral.
"Lembra que o senador dizia que ninguém sabia se às seis horas da manhã a Polícia Federal iria bater na porta de alguém? O aviso foi dado antes. E vem mais, do mesmo grupo, dois 'inhos'", declarou.