O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu ao Tribunal de Justiça a anulação do júri que condenou o policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz. Segundo o órgão, jurados teriam sido expostos durante o julgamento, o que pode ter comprometido a liberdade de decisão do Conselho de Sentença.
O pedido foi apresentado pelo promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins, da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, como um novo argumento no recurso que já havia sido protocolado contra o resultado do júri.
Segundo o Ministério Público, fatos descobertos após o julgamento indicam que integrantes do Conselho de Sentença tiveram a identificação exposta durante a sessão. O órgão também aponta que imagens dos jurados teriam sido registradas e divulgadas por integrantes da defesa do réu.
A situação veio à tona após um dos jurados procurar a 1ª Vara Criminal de Cuiabá e relatar desconforto com o ocorrido. Ele afirmou que teve o nome citado diversas vezes durante a sessão e que sua imagem foi registrada no plenário.
O jurado relatou ainda ter ficado preocupado com a segurança da própria família. Em manifestação encaminhada ao Judiciário, afirmou que não conseguiu julgar com “consciência plena” diante da exposição e do medo gerado durante o julgamento.
Ele também informou ter visto um veículo desconhecido estacionado próximo à sua residência no período do júri. Diante da situação, pediu para ser dispensado da função de jurado, principalmente em casos complexos ou de grande repercussão.