Uma família de Cuiabá apontada como responsável por um esquema de estelionato eletrônico que fez vítimas em diversos estados e até no exterior foi alvo da Operação Falso Elo, deflagrada na manhã desta quarta-feira (8). A ação é resultado de uma investigação da Polícia Civil do Piauí, com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso.
Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, sendo 11 em Cuiabá e um em Barra do Garças. As ordens judiciais foram executadas por equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital e da 1ª Delegacia de Barra do Garças.
As investigações começaram após um idoso de Ribeiro Gonçalves (PI) denunciar ter sido vítima do chamado "golpe do intermediário" durante a negociação de um veículo anunciado na plataforma OLX. Segundo a polícia, os criminosos manipulavam as conversas entre comprador e vendedor, fazendo com que ambos acreditassem estar tratando diretamente um com o outro.
Com comprovantes de pagamento falsificados e outras estratégias para dar aparência de legalidade ao negócio, o grupo convencia as vítimas a realizar transferências bancárias para contas controladas pelos investigados, causando prejuízos financeiros expressivos.
Durante as apurações, os policiais identificaram que o esquema seria comandado por integrantes de uma mesma família residente em Cuiabá. A organização criminosa, conforme a investigação, atuava de forma estruturada e repetia o mesmo método para aplicar golpes em diferentes regiões do país, além de possuir vítimas fora do Brasil.
Além do estelionato eletrônico, os investigados também poderão responder por crimes como falsificação de documentos e associação criminosa. Outras infrações ainda podem ser identificadas com o avanço das investigações.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos que serão submetidos à perícia. A expectativa é que a análise do material permita identificar novas vítimas, rastrear a movimentação financeira do grupo e reunir novas provas sobre a atuação da organização.
Segundo o delegado Mário Santiago, titular da Derf Cuiabá, a integração entre as polícias foi decisiva para localizar o grupo.
"A internet não serve como escudo para a impunidade, e a cooperação entre os estados foi fundamental para desarticular essa estrutura criminosa", afirmou.
A Operação Falso Elo recebeu esse nome em referência ao elo fraudulento criado pelos criminosos entre compradores e vendedores em negociações virtuais. As investigações continuam em sigilo para identificar outros envolvidos e dimensionar a extensão dos golpes.