O Partido Agir entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), e a esposa dele, Alessandra Ferreira Cróco de Souza, candidata a deputada estadual. A sigla acusa os dois de suposto abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2026 e pede, em caráter liminar, o afastamento do prefeito do cargo.
Segundo a ação, a estrutura da Prefeitura teria sido utilizada ao longo do ano eleitoral para ampliar a exposição política de Alessandra. O partido cita a comunicação oficial do município, eventos públicos, obras, serviços e benefícios oferecidos à população.
Entre os episódios apontados está a atuação da Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada anteriormente por Alessandra. Conforme o Agir, mesmo após a desincompatibilização para disputar a eleição, ela teria participado de obras, eventos e atos públicos promovidos pela administração.
A sigla também questiona a divulgação institucional de obras, serviços e eventos durante o período eleitoral.
Um dos casos citados é a 52ª Exposul, que recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos. Segundo a ação, o evento contou com shows nacionais, entrada e transporte público gratuitos, além de distribuição de alimentos e bebidas. O partido afirma que Cláudio e Alessandra participaram diretamente dessas ações.
Outro episódio envolve a 1ª Copa Integração, realizada com R$ 1.048.160 em recursos municipais. De acordo com o Agir, Alessandra, já afastada da Prefeitura, participou da cerimônia, subiu ao palco e fez uso da palavra.
A representação cita ainda a distribuição gratuita de picolés durante o desfile de 7 de Setembro, que teria reunido mais de 45 mil pessoas, segundo estimativa do próprio município.
O 10º Caveiras Moto Festival também aparece na ação. O evento teve shows nacionais, entrada gratuita, apoio estrutural e divulgação oficial da Prefeitura e ocorreu 28 dias antes do primeiro turno. Para o partido, o Gabinete de Comunicação teria sido utilizado para ampliar a divulgação da programação.
A ação cita ainda manifestações de apoio feitas por Cláudio a candidatos de sua preferência, entre eles Alessandra, José Medeiros (PL), Mauro Mendes (União) e Otaviano Pivetta (Republicanos).
Segundo o Agir, o prefeito teria associado os candidatos apoiados a obras e realizações públicas, além de participar de atos políticos durante o horário de expediente e utilizando sua posição institucional.
A representação também menciona outro processo em tramitação na Justiça Eleitoral, relacionado a mensagens enviadas pelo WhatsApp oficial da Prefeitura a pessoas atendidas pelo CRAS Alfredo de Castro 1.
Conforme o partido, servidores teriam utilizado o canal institucional para fazer campanha em favor de Alessandra junto a famílias de baixa renda.
Para o Agir, os episódios devem ser analisados em conjunto, pois indicariam o uso da estrutura e da visibilidade da administração municipal para beneficiar a candidatura.
O pedido de liminar foi encaminhado ao juiz plantonista Jean Garcia de Freitas Bezerra no domingo (20), diante da proximidade do primeiro turno.