O setor brasileiro de papel e celulose está entre os mais prejudicados pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 24% das exportações do segmento para o mercado norte-americano serão afetadas pela sobretaxa de 25%.
Entre os produtos atingidos estão pasta química de madeira, papéis e cartões para escrita, materiais utilizados na fabricação de embalagens de bebidas e papéis com revestimento térmico.
O levantamento aponta que o setor lidera a lista dos segmentos industriais mais expostos à medida, seguido pela madeira, com 19,9% das exportações afetadas, máquinas e equipamentos (18,2%), produtos químicos (17,9%) e móveis (17,3%).
No total, a nova tarifa deve alcançar cerca de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a 26,2% das vendas do Brasil ao país. Outros US$ 31,1 bilhões ficaram fora da cobrança adicional devido às exceções anunciadas pelo governo norte-americano.
A CNI alerta que a manutenção das tarifas sobre produtos estratégicos pode reduzir a competitividade da indústria brasileira no mercado dos Estados Unidos e favorecer concorrentes internacionais.
O governo brasileiro afirmou que a medida representa um momento negativo nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Já empresários dos setores afetados informaram que são contrários a uma possível retaliação brasileira por meio da Lei de Reciprocidade.