Câmeras de segurança registraram o momento em que a mulher identificada pela Polícia Civil como mãe da recém-nascida encontrada morta em uma lixeira de Várzea Grande leva a criança em uma sacola e a descarta no local. As imagens foram divulgadas nesta quinta-feira (26).
No vídeo, a mulher aparece caminhando pelas áreas comuns do residencial carregando duas sacolas pretas. Ela atravessa uma faixa de pedestres e segue até o recipiente destinado ao descarte de lixo.
De acordo com a investigação, uma das sacolas carregava o corpo da bebê. A mulher coloca o material dentro da lixeira e deixa o local.
Horas depois, um trabalhador responsável pela coleta dos contêineres encontrou uma caixa de papelão com a criança e acionou a Polícia Militar.
A suspeita foi identificada justamente a partir das imagens das câmeras de segurança. Inicialmente, segundo a Polícia Civil, ela negou envolvimento no caso, mas depois admitiu ter feito o descarte e confirmou ser a mãe da criança.
Parto aconteceu enquanto marido dormia
Durante coletiva realizada na tarde desta quinta-feira, o delegado Rogério Gomes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a mulher contou ter entrado em trabalho de parto durante a madrugada, enquanto o marido dormia.
Segundo o relato apresentado à polícia, o nascimento aconteceu de forma inesperada e ela entrou em desespero após perceber o que estava acontecendo.
A investigada negou ter provocado o aborto ou utilizado qualquer substância para interromper a gestação.
Ela também afirmou que o filho que já possui estava na residência e que não queria que ele percebesse o que estava acontecendo. Conforme o delegado, a mulher não é mãe de primeira viagem.
O marido também foi ouvido pela polícia. Segundo Rogério Gomes, ele afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido posteriormente, quando a companheira compareceu à delegacia.
Perícia aponta que bebê nasceu viva
A versão apresentada pela mulher de que a criança teria nascido morta foi contrariada pela perícia. O exame de necropsia apontou que a bebê nasceu com vida, mas sobreviveu por pouco tempo.
A criança era uma menina, tinha aproximadamente 26 semanas de gestação, cerca de seis meses, e pesava aproximadamente 750 gramas.
O delegado destacou que, pelo estágio da gestação, a gravidez já apresentaria sinais físicos perceptíveis.
Segundo Rogério Gomes, a investigada cursa Enfermagem e teria conhecimento sobre aspectos relacionados à gestação. A polícia também apurou que vizinhos chegaram a suspeitar que ela estivesse grávida.
Mulher segue em liberdade
A Polícia Civil deverá indiciar a mulher por homicídio e também apura a prática de aborto na forma tentada, conforme informado pelo delegado.
Apesar da gravidade do caso, ela permanece em liberdade por ter colaborado com as investigações e não ter sido presa em flagrante. A situação, porém, pode mudar durante o andamento do processo.
O delegado explicou que o fato de a investigada estar solta não impede que uma prisão seja decretada posteriormente, caso surjam elementos que justifiquem a medida.
A Polícia Civil ainda realiza diligências e analisa os exames que fazem parte da investigação para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte da bebê e definir a responsabilização criminal da investigada.