O governo do Marrocos atribuiu a crise migratória que levou milhares de pessoas a tentar atravessar a fronteira para o enclave espanhol de Ceuta à disseminação de informações falsas nas redes sociais e à atuação de redes de tráfico humano.
Em seu primeiro pronunciamento oficial sobre o episódio, o ministro do Interior marroquino, Abdelouafi Laftit, afirmou que cerca de 40 mil pessoas tentaram realizar a travessia e informou que 11 pessoas morreram durante as tentativas. O número, porém, é muito inferior ao divulgado por autoridades espanholas, que apontam pelo menos 72 mortes e cerca de 50 mil migrantes envolvidos.
Segundo o governo de Rabat, uma decisão judicial da Espanha relacionada à devolução de migrantes interceptados no mar teria sido interpretada de forma equivocada e espalhada pelas redes sociais, criando a expectativa de que seria mais fácil permanecer em território espanhol.
A decisão do Tribunal Supremo espanhol, tomada no início de julho, restringiu a prática conhecida como “devoluciones en caliente”, que permitia a devolução imediata de pessoas interceptadas no mar. A medida, no entanto, não impede deportações nem altera as regras para entradas irregulares pelas fronteiras terrestres de Ceuta e Melilla.
O governo espanhol também citou a circulação de informações falsas como um dos fatores que estimularam a migração em massa. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que grupos de tráfico humano exploraram a interpretação equivocada da decisão judicial para incentivar as travessias.
A crise deixou um cenário de busca por vítimas nas áreas próximas a Ceuta. O governo local informou que cinco novos corpos foram encontrados na costa neste domingo (2). O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou que o necrotério recebeu 88 corpos, embora parte das mortes possa estar relacionada a tentativas anteriores de entrada no enclave.
A maioria das vítimas morreu por afogamento durante as travessias marítimas. Outros migrantes morreram durante tentativas de superar barreiras físicas que separam o território marroquino da cidade espanhola.
Mais de mil pessoas receberam atendimento médico após a tentativa de entrada em massa. A Espanha reforçou o patrulhamento policial e militar na região e instalou uma barreira flutuante de 500 metros no litoral para conter novas travessias.