TRIBUNAL DO JÚRI

“A única coisa que vi foram as lágrimas e ele urrando de dor”, diz filha de Renato Nery em depoimento no júri

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“A única coisa que vi foram as lágrimas e ele urrando de dor”, diz filha de Renato Nery em depoimento no júri

A filha do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, relatou momentos de desespero vividos pela família após o atentado que matou o jurista durante depoimento prestado nesta quarta-feira (15), no Tribunal do Júri de Cuiabá. Lívia Moreira Gomes Nery foi ouvida como testemunha de acusação no julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como o executor do crime.

Em plenário, Lívia relembrou a cena encontrada após o pai ser baleado com sete disparos em frente ao escritório da família, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.

Segundo ela, inicialmente os familiares não sabiam o que havia acontecido e chegaram a imaginar diferentes possibilidades para o ataque.

“Quando aconteceu, a gente não sabia o que era. Eu não sabia se era um assalto ou se ele estava no lugar errado, na hora errada. Se foi uma bala perdida. A gente não sabia o que estava acontecendo”, afirmou.

A testemunha contou que, ao chegar ao local, viu o pai caído e percebeu a gravidade dos ferimentos.

“A única coisa que deu para ver foi as lágrimas saindo do olho dele. E ele estava urrando de dor. Ele estava sendo asfixiado”, relatou.

Durante o depoimento, Lívia também descreveu o impacto emocional causado pela cena do crime e afirmou que retornou ao escritório horas depois do atentado.

Ela contou que encontrou marcas deixadas pelo ataque e que a situação permaneceu marcada na memória da família.

“É tudo muito... A gente contando parece que nem é verdade, mas tinha aqueles pedacinhos de carne mole da cabeça dele ali”, disse.

Em outro momento, a filha explicou que teve uma reação instintiva ao tocar o chão próximo ao local onde o pai caiu.

“Foi só uma ânsia de uma pessoa desesperada”, afirmou.

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o assassinato teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma área superior a 12 mil hectares em Novo São Joaquim. A acusação sustenta que o crime teria sido contratado por R$ 200 mil por um casal de empresários, com apoio de policiais militares na logística e na contratação do executor.

O julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva segue em andamento no Fórum de Cuiabá.