A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Heritage, aponta indícios de que parte dos R$ 308,1 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em um acordo com a operadora Oi S.A. teria circulado por fundos de investimento antes de chegar a empresas e aplicações ligadas às famílias do ex-governador Mauro Mendes (União) e do deputado federal Fábio Garcia (União-MT).
De acordo com o documento, os investigadores identificaram uma estrutura financeira formada por diferentes camadas de fundos de investimento, que teria sido utilizada para movimentar os valores decorrentes do acordo.
A decisão cita dois fundos principais: o Royal Capital FIDC e o Lotte Word FIDC.
No núcleo apontado como ligado a Mauro Mendes, a investigação indica que os recursos teriam passado pela Royal Capital, seguido para a Zurich FIM e depois para a London FIP.
Segundo a decisão, a London FIP teria adquirido participações na Parecis Bioenergia que pertenciam ao fundo 5M Capital, controlado pela família Mendes por meio da GS Heritage.
O documento aponta que os filhos do ex-governador, Luis Antônio Taveira Mendes, Ana Carolina Mendes Facures e uma filha menor de idade, aparecem como cotistas do GS Heritage.
Já no núcleo relacionado a Fábio Garcia e Mauro Carvalho Júnior, a decisão cita o Lotte Word FIDC, que teria recebido aproximadamente R$ 154 milhões, valor equivalente à metade dos recursos do acordo.
Segundo o STF, Fernando Robério de Borges Garcia, pai de Fábio Garcia, aparecia como cotista originário do fundo.
A decisão também menciona o Venture Finance FIDC, estrutura que, segundo a investigação, teria reunido interesses dos dois grupos. O fundo teria entre seus cotistas o GS Heritage e o Coliseu FIC FIDC, apontado como ligado à família de Fábio Garcia.
Flávio Dino destacou que a investigação ainda está em andamento e que as medidas autorizadas não representam julgamento definitivo sobre a existência de crimes ou responsabilidade dos investigados.