A advogada Sarah Quinetti Pironi, que defende o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar o assassinato do advogado Roberto Zampieri, comparou o jurista ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes do início do Tribunal do Júri, nesta terça-feira (29), em Cuiabá.
Segundo Sarah, existem conversas e informações relacionadas a Zampieri que, na avaliação da defesa, ainda não foram apresentadas à sociedade. Ela afirmou que o advogado seria uma espécie de “Vorcaro de Cuiabá” e citou suspeitas envolvendo venda e compra de decisões judiciais.
“Pra gente é um grande absurdo tudo que vem acontecendo. Como os outros advogados aqui falaram, venda de sentença, compra. A gente tem falado que é um Vorcaro de Cuiabá, o doutor Zampieri, e são conversas e falas que estão escondidas da sociedade”, declarou.
A defesa também negou que Caçadini tenha financiado a execução de Zampieri. Sarah afirmou que o coronel não teria participado do assassinato e disse esperar que o julgamento apresente o que considera ser a verdade sobre o caso.
“Colocam o coronel Caçadini na cena de um crime, como financiador de um crime que ele nunca foi. O que nós queremos é mostrar pra sociedade toda a verdade”, afirmou.
Segundo a advogada, Caçadini está preso há quase três anos e teria colaborado com as investigações. Ela também destacou a idade do réu, de 70 anos, e o período em que ele serviu ao Exército.
Ataque hacker
Sarah também comentou o ataque hacker que deixou os sistemas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) fora do ar nos dias que antecederam o julgamento.
A advogada classificou o episódio como “muito estranho” por ter ocorrido próximo ao júri, mas afirmou que a indisponibilidade do sistema não prejudicaria a defesa, já que os advogados possuem cópias dos autos.
“Todo tribunal tem o processo baixado. Nós temos cópia, os juízes têm cópia, os promotores têm cópia”, explicou.
Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Conforme a investigação, o crime estaria relacionado a uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Antonio Gomes da Silva é apontado como executor dos disparos, Hedilerson Fialho Martins Barbosa como intermediador e Caçadini como responsável pelo financiamento da execução.
Os empresários Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados pelo Ministério Público como mandantes do crime.