O advogado Nilton Ribeiro de Souza, que defende Antônio Gomes da Silva, réu confesso pela execução do advogado Roberto Zampieri, afirmou que o julgamento do caso pode ultrapassar os limites do Tribunal do Júri e até influenciar a eleição para presidente da República.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (1º), antes do início do terceiro dia de julgamento, no Fórum de Cuiabá. Segundo o defensor, Antônio teria afirmado que veio à capital para “combater a corrupção” e que faria novamente o que fez.
Nilton disse ainda que, apesar de considerar o réu “insano”, ele teria, em sua avaliação, uma postura de combate à corrupção.
“Mesmo nessa insanidade dele, tem uma sanidade ímpar de combate à corrupção. E ele diz que veio a Cuiabá para combater a corrupção. E ele faria de novo”, afirmou.
Na sequência, o advogado afirmou que a decisão dos sete jurados pode ter reflexos políticos em âmbito nacional.
“Hoje, os jurados de Cuiabá vão decidir algo inédito, que talvez mude, influencie, até o resultado das eleições para presidente. Até isso pode influenciar”, declarou.
Durante o julgamento, Antônio também afirmou que acompanha política desde criança e que acontecimentos ocorridos em 2023 fizeram com que passasse a enxergar o país como afetado pela corrupção.
O réu confesso declarou ainda que matou Zampieri com a intenção de “fazer justiça”. Durante seu depoimento, disse ter ficado satisfeito ao saber, após ser preso, que policiais não consideravam a vítima uma “boa pessoa”.
O julgamento começou na terça-feira (29) e reúne, além de Antônio, o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Antônio é apontado como executor dos disparos, Hedilerson como intermediador e Caçadini como acusado de financiar o homicídio.
Zampieri foi assassinado a tiros em dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, nas proximidades do escritório onde trabalhava.