Duas crianças brasileiras que perderam a mãe enquanto viviam em Salem, Massachusetts (EUA), e ficaram sob a custódia estrangeira por mais de dois anos, chegaram nesta sexta-feira (7), em Cuiabá, após serem repatriadas. O processo de guarda de ambas foi aberto pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), na comarca de Cotriguaçu, 950 km da Capital, o que garantiu à tia materna a guarda provisória e o retorno delas para a família.
A defensora pública responsável pelo caso, Natane Garcia Ferreira, explica que o processo exigiu esforços extraordinários pelas dificuldades e complexidades da história. E afirma que a chegada das crianças encerra a etapa mais difícil de uma situação marcada por perdas, distância e expectativas frustradas. “Tentamos trazê-los em três outras ocasiões e não deu certo, por problemas burocráticos e outros. Dessa vez, eles já estavam descrentes em fazer as malas, mas, deu tudo certo e agora, eles estão em casa”, disse Natane.
Ela conta que o drama das crianças começou em 12 de abril de 2024, quando a mãe deles morreu, aos 33 anos, e elas ficaram sob a custódia do Department of Children and Families (DCF), órgão de proteção à infância do estado norte-americano.
“Como não tinham parentes ou familiares próximos que pudessem se responsabilizar por eles, foram acolhidos numa instituição. Desde então a família aqui no Brasil vive em sofrimento e angústia. Eles fizeram uma vaquinha para conseguir trazer o corpo da mãe das crianças e só depois de seis meses da morte, conseguiram o translado para o Brasil. As crianças, tiveram que ficar para trás, pois faltavam documentos que comprovassem a guarda”, conta Natane.
Em junho de 2024 a irmã da mãe das crianças, que mora em Juruena, 900 km de Cuiabá, procurou a DPEMT em Contriguaçu e pediu auxílio para recuperar os sobrinhos. A ação de guarda foi feita pela defensora pública Lígia Podovani Nascimento e distribuída para a Vara Única da comarca, em 14 de junho de 2024.
À época, a defensora informou à Justiça que os irmãos estavam acolhidos nos Estados Unidos, sem familiares próximos e alertou para o risco deles serem colocados para adoção.