Responsável pelas investigações do assassinato de Thays Machado e Willian César Moreno, o delegado Marcel Oliveira afirmou, durante o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, nesta sexta-feira (31), que o empresário mantinha uma perseguição obsessiva contra a ex-companheira e a tratava como uma propriedade.
Segundo o delegado, colegas de trabalho e pessoas próximas à vítima relataram um histórico de ciúmes excessivos, controle e violência psicológica.
"Foram ouvidos vários colegas de trabalho e amigos, e todos foram unânimes em dizer que era um ciúme doentio. Ele tratava a vítima como posse", afirmou.
Marcel explicou que as investigações apontaram um monitoramento constante da rotina de Thays muito antes do crime.
Após cumprir mandado de busca na residência do empresário, a Polícia Civil encontrou anotações detalhadas sobre deslocamentos, horários e hábitos da vítima, além de equipamentos de GPS, dispositivos de escuta, documentos e mensagens armazenadas em aparelhos eletrônicos.
"Havia uma perseguição sistemática de tudo o que a vítima fazia. Encontramos um farto material probatório", declarou.
As investigações também revelaram mensagens em que Carlinhos cobrava respostas imediatas da ex-companheira e questionava onde ela estava e com quem permanecia.
Para o delegado, o conjunto de provas demonstra que os assassinatos foram planejados.
"Com essas informações, você verifica que esse crime estava premeditado para acontecer."
Marcel ainda afirmou que testemunhas relataram outros episódios de violência durante o relacionamento, incluindo uma tentativa de atropelamento após Thays deixar uma casa noturna com amigos.
"O feminicídio é um crime de ódio. É muito nítido e muito claro: se a vítima não é minha, não será de mais ninguém", concluiu.
Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato da ex-companheira e do namorado dela, mortos a tiros em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.