REDAÇÃO PODER MT - O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes (União), afirmou que não teve participação em um suposto esquema de fraudes em contratos públicos investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso e disse que sua gestão foi responsável por identificar as irregularidades que deram origem às apurações da Operação Gomorra 2.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (8), o gestor rebateu a indicação de que seria o “ponto central” da investigação e afirmou que colaborou com os órgãos de controle desde o início do caso. Segundo ele, as suspeitas surgiram após uma auditoria interna determinada pela própria administração municipal no primeiro ano de mandato.
A investigação conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) apura um suposto esquema envolvendo fraudes em licitações, desvios de combustível e contratos administrativos que teriam causado prejuízo superior a R$ 29 milhões. A decisão judicial que autorizou as medidas da operação aponta Alexandre Lopes como uma figura central no núcleo político-administrativo investigado.
O prefeito, no entanto, afirma que sua atuação se restringiu à assinatura de uma ata contratual respaldada por parecer da Procuradoria Municipal e utilizada por mais de cem prefeituras brasileiras.
“Faz sentido que justamente o gestor que identificou os problemas, determinou a auditoria, encaminhou os fatos aos órgãos de controle e adotou medidas para corrigir as falhas seja investigado por um ato que se limitou apenas a uma assinatura de uma ata?”, questionou.
Segundo Alexandre Lopes, antes da implantação de novos mecanismos de fiscalização, o controle de abastecimento da Prefeitura de Campo Verde era realizado manualmente. Ele afirmou que a modernização do sistema permitiu identificar inconsistências acumuladas ao longo dos anos.
“Nós informatizamos todo o sistema, implantamos mecanismos de controle e incluímos o histórico de consumo de muitos anos da Prefeitura. Foi assim que detectamos um déficit de combustível que vinha se acumulando pela falta de um controle mais efetivo”, declarou.
O prefeito também contestou a interpretação de que seria o principal alvo da investigação e disse que a conclusão de que teria responsabilidade direta não consta nos autos da forma como foi divulgada.
“Uma afirmação que inclusive nem existe nos autos. Estamos tranquilos, porque sabemos exatamente como agimos. Diante de qualquer indício, eu não me omiti”, afirmou.
A decisão citada pelo Ministério Público, porém, aponta que o gestor municipal teria responsabilidade por atos relacionados à execução dos contratos investigados. O desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues destacou que, no núcleo político-administrativo, o prefeito aparece como possível responsável por permitir a continuidade das irregularidades ao ratificar despesas consideradas suspeitas.
Entre os pontos investigados estão abastecimento irregular de veículos particulares e pagamentos relacionados a locações de bens que, segundo as apurações, não teriam sido efetivamente utilizados. Além do prefeito, servidores municipais também são alvos da operação, incluindo o secretário de Obras, Rubens Anunciação Júnior.
Durante o pronunciamento, Alexandre Lopes reforçou que a Prefeitura continuará colaborando com a investigação e afirmou esperar que os fatos sejam esclarecidos rapidamente.
“Tenho confiança de que a verdade prevalecerá e de que a nossa atuação como gestor público será reconhecida pela forma responsável com que sempre conduzimos a gestão pública”, concluiu.