MEDIDA CAUTELAR

Justiça mantém prisão de PM acusado de planejar morte de Renato Nery

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Justiça mantém prisão de PM acusado de planejar morte de Renato Nery
Reprodução

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão preventiva do policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos envolvidos no assassinato do advogado Renato Nery, morto a tiros em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. A decisão foi disponibilizada nesta sexta-feira (10) pela 1ª Vara Criminal da Capital.

Ao reavaliar a medida cautelar, conforme determina o artigo 316 do Código de Processo Penal, o juiz Marcos Faleiros da Silva concluiu que não surgiram fatos novos que justificassem a revogação da prisão. Com isso, Heron permanecerá preso durante a tramitação do processo.

Segundo as investigações, o policial teria atuado no planejamento e na execução do homicídio, ao lado do caseiro Alex Roberto Queiroz Silva. A Polícia Civil apura que o crime foi encomendado pelos produtores rurais Cesar Sechi e Julinere Goulart Bentos, mediante pagamento de R$ 200 mil.

A motivação, conforme a acusação, seria uma disputa judicial envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 30 milhões, localizada no município de São Joaquim. Renato Nery havia obtido decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, antes de ser assassinado, relatava que vinha recebendo ameaças.

Em depoimento, Heron afirmou que recebeu a proposta para participar do crime do também policial militar Jackson Pereira Barbosa, vizinho do casal de produtores em Primavera do Leste. Jackson também figura entre os investigados pelo homicídio.

A investigação aponta ainda que Heron teria tentado eliminar provas após a execução, sendo responsável pela destruição do capacete e das roupas utilizadas no crime.

De acordo com a apuração, o assassinato começou a ser organizado meses antes da execução. Em abril de 2024, Heron teria alugado uma chácara em Várzea Grande que serviu de base para o planejamento. Ainda naquele mês, ele teria viajado a Primavera do Leste para tratar dos detalhes do crime com Jackson Pereira Barbosa.

Renato Nery foi morto na manhã de 7 de julho de 2024, quando chegava ao escritório. Conforme a investigação, o atirador já o aguardava no local.

Na mesma decisão, o magistrado determinou que acusação e defesa apresentem, no prazo de cinco dias, a relação de testemunhas, documentos e eventuais pedidos de diligências, etapa prevista no artigo 422 do Código de Processo Penal que antecede o julgamento pelo Tribunal do Júri.